Terça, Fevereiro 07, 2012
   
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Rio de Paz

artigo1Libertao no lugar de uma poltica de confronto
Costumo dizer que ao longo de 26 anos na cobertura de temas ligados segurana pblica e criminalidade jamais encontrei movimento social mais inclusivo do que o do Rio de Paz, que luta pela reduo dos homicdios no pas e, especialmente no Rio de Janeiro, conquistou a mdia tambm por apresentar a esttica da violncia com cruzes, rosas, bales e faixas pretas. O movimento no apenas ouve representantes de todos os setores da sociedade - dos policiais aos acadmicos - como um dos poucos da sociedade civil que deu um sentido mais amplo e mais ltil expresso "direitos humanos". Outro dia, o lder do Rio de Paz, Antnio Carlos Costa, foi ao enterro de um PMs executados na Lagoa, onde a ONG colocou a faixa "Mataram aqui dois seres humanos que trabalhavam em condies desumanas".

Na semana passada, discretamente, o lder do Rio de Paz esteve reunido com o secretrio de Segurana Pblica, Jos Mariano Beltrame, que concedeu espao na sua agenda para ouvir o clamor do movimento. O encontro resultou num momento que considero histrico para a luta contra a violncia no estado. O secretrio aceitou a proposta de dilogo permanente entre a cpula da segurana e a sociedade, por meio de um frum organizado pelo Rio de Paz, periodicamente, com participao de representantes da sociedade, que inclui gente da polcia, da academia e da imprensa. Se este governo est aberto a ouvir a sociedade sobre que polcia ela quer, possvel tambm que a sociedade seja convocada a participar do processo de busca por solues para a segurana e no fique mais na confortvel posio de platia, s cobrando providncias do poder pblico.

Em artigo exclusivo para este blog, o lder do Rio de Paz, Antnio Carlos Costa, afirma que preciso trocar a poltica de confronto por uma poltica de libertao, no combate ao crime nas favelas. No artigo, ele faz uma pergunta simples que j deveria ter sido respondida at mesmo por pesquisadores da rea de segurana: "Por que no h um investigao sria e eficaz nas vias de acesso da cidade? Por que transferir o trabalho de apreenso para as comunidades pobres apenas?"

Conhea aqui e agora um pouco mais do pensamento de Antnio Carlos que j respondeu inclusive a perguntas de leitores do GLOBO sobre o movimento. Assim como eu, Costa no contra o confronto entre polcia e criminosos, mas sim contra a transformao desse ponto na principal poltica da segurana pblica.