Sexta, Julho 30, 2010
   
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O retrato de uma nação desnorteada

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O retrato de uma nação desnorteada
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Nos últimos meses nossos olhos testemunharam uma seqüência de tragédias no nosso país, sintomáticas de uma enfermidade grave, crônica e metastática. Ela é grave porque tem representado a morte, pelos mais diferentes meios, de milhares de brasileiros. São mais de 15000 mortos por assassinato em 2007, dois aviões que explodiram com centenas de passageiros, um número absurdo de pessoas mortas em acidentes de trânsito, nas esburacadas, inseguras e mal sinalizadas estradas brasileiras. Fora a miséria, a falta de assistência hospitalar, o desemprego e as condições subumanas de habitação. Esta doença é crônica, porque não é circunstancial, nem somente relacionada a um modelo de governo. É cultural, relaciona-se a uma forma de pensar, agir e sentir. Algo que se reflete na falta de planejamento das nossas ações, na impontualidade, no desrespeito à santidade da vida humana, na mentira, na irresponsabilidade e na inércia. Ela resulta no pitbull que sai da casa do vizinho e desfigura o rosto de uma criança até o avião que cai levando desgraça para centenas de lares. E, ninguém é responsabilizado. Marquises desabam, obras públicas desmoronam, aviões caem, pneus explodem em buracos, e, um povo culturalmente condicionado lida com condescendência com tudo isto. Trata-se de uma metástase porque se espalhou pelo corpo social inteiro. Atingiu os três poderes, levando ao descrédito uma democracia obtida com suor e sangue.

Uma crise de liderança profunda está sendo experimentada pela nossa nação. Dizem que somos um povo de expectativas messiânicas. Que aguardamos a chegada de um libertador. Alguém que surja no cenário trazendo a solução que só será encontrada pela conjugação de esforços do todo da população. Mas, observamos um povo sem iniciativa, ignorante do funcionamento do próprio Estado, que sente o problema, mas não sabe onde está a solução. Num contexto como esse é óbvio que a presença de uma liderança íntegra, inteligente, capaz, sábia e apta para falar de uma maneira que o povo entenda é fundamental. Não precisamos de um messias. Carecemos de homens e mulheres que representem para o Brasil o que Winston Churchill representou para a Inglaterra na Segunda Guerra, o que Lutero representou para a Alemanha na Reforma do século XVI e o que Davi representou para Israel após a morte do rei Saul. O que vemos é uma raça de líderes imorais, mentirosos, mal preparados e sem compaixão, representando o interesse de milhares de seres humanos privados do que de mais elementar um país deve oferecer aos seus cidadãos.

Até a liderança eclesiástica não escapa desta crítica. Pastores em crise de meia idade levando para internet conflitos que deveriam ser administrados por eles na presença de Deus em oração, meditação e espera. Um silêncio que deveria ser rompido apenas após a obtenção de respostas vindas da parte de Deus. Homens que permitem que as circunstâncias da vida determinem sua teologia, em vez de aprenderem a fazer a leitura dos fatos da vida à luz das lentes da verdade eterna. O silêncio da igreja em face do desrespeito aos direitos humanos no Brasil é uma negação da essência do evangelho de Cristo. Raça de covardes. Valentes no púlpito, mas tímidos na hora de correr riscos para a glória de Deus e a salvação do homem. Pastores capazes de mandar o enfermo crer na sua cura, mas que na hora de botar telhado na igreja, introduzem homens corruptos no seio da congregação, muitas vezes parando o culto a Jesus Cristo para candidatos políticos ímpios falarem, usando o nome de Deus em vão.